Aos 77 anos, Haruki Murakami é um dos nomes mais conhecidos da literatura japonesa contemporânea.
Nascido em Kyoto, o escritor construiu uma carreira marcada por histórias em que solidão, memória e acontecimentos insólitos se misturam.
Sua bibliografia inclui os aclamados “Norwegian Wood”, “1Q84” e “Kafka à Beira-Mar”, além dos romances premiados “O Fim do Mundo e o Impiedoso País das Maravilhas”, vencedor do prêmio Tanizaki, e “Crônica do Pássaro de Corda”, reconhecido com o prêmio Yomiuri.
Em “Dance Dance Dance”, publicado originalmente em 1988, o autor traz sua característica atenção às relações humanas em uma frase que ganhou vida fora das páginas.
“O que dura, dura. O que não dura, não dura. O tempo resolve quase tudo. E o que o tempo não consegue resolver, você mesmo tem que resolver.”
No romance, quem diz essas palavras é o narrador, durante uma conversa com Yuki, uma adolescente de 13 anos. Ela lamenta ter tratado mal Dick North, um homem próximo de sua mãe que morreu inesperadamente.
A fala surge, portanto, em um momento de luto e culpa. Ao conversar com a menina, o protagonista chama a atenção para a importância de tratar as pessoas com justiça e sinceridade enquanto elas estão presentes. Depois da perda, o arrependimento não pode mudar o que aconteceu.
Lido de maneira mais ampla, o trecho sugere que a passagem dos dias pode mudar nossa perspectiva e tornar certas experiências menos difíceis de compreender. Nem tudo exige uma resposta imediata.
Ainda assim, esperar tem seus limites. Uma conversa adiada, um pedido de desculpas ou uma mudança de atitude podem exigir iniciativa.
Nessa leitura, aceitar o que terminou e cuidar do que ainda pode ser transformado são movimentos complementares. O tempo passa, mas a maneira como tratamos quem está ao nosso lado também depende das escolhas que fazemos hoje.